Tempo de Cais



Conforme o tempo avança
lembro-me cada vez mais
do tempo quando eu criança
corria ao sol no cais.
Vau que inda hoje aliança
amigos, parentes e pais
outros de minha privança
liames de mesmos ais.


Soaroir Maria de Campos
  10/12/06

quinta-feira, 20 de março de 2014

Se Rio ou Vertente

(Perdidos na Net)

Se rio ou vertente
Soaroir 01/10/2010



                               (Como um rio...)



nunca fui rio – nem contornei as pedras
imagino ele como eu
com saudade de ser alegre
ânsia pelas boas cheias 
do curso d’água
sazonal ou fortuito

expectativa das chegadas
tristeza de um só copo
entre a multidão dos utensílios
e um piano fechado...

silenciosa habitação
falta o cheiro dos ensopados...
logo eu que agasalhei as pedras

lágrimas da terra...
choradas pelas ribanceiras
derramadas do leito ao mar 

pelo desprezo das ribeiras...

A Cor da Alma

(Perdidos na Net)

A Cor da Alma




Minh'alma
(titulo origial)
© Soaroir 18/05/08

Caucasiana de vó e vô

De graça tenho nos olhos

O verde de muitas bandeiras

E a alma furta-cor

Cromia e sintonia de Matisse e Strauss

Fonias de tons, Jobim e semitons

Folias contrastando philias

Mistura de azeviche encarnado

E mamelucos prateados

Matizes de acordes difusos

Entre azevinhos e paus-brasil

Minha alma cora ao sol

Na luz intensa do Sul.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Teu Sorriso é Minha Tela


Ficheiro:Rembrandt The Artist in his studio.jpg
imagem/google

Teu Sorriso é Minha Tela

Soaroir 17/3/14                                         
                      
Cara moldura do riso,
lábios paspatur
ao redor da imagem;
Olhos as certezas
de original  mensagem
matizada na pintura...
No sorriso que é teu,
me abrigo na hospedagem
que  cativa e me assegura...

continua...
(sem revisão)

 

sábado, 15 de março de 2014

Cordelista de Brejo Santo - Saudades

Soaroir
(perdidos na net) 9/7/2008



S  ua alegria me conquistou
O seu sorriso me alegrou
A amizade iniciada na internete
R aizes agora aprofundaram
O
nosso encontro foi providencial
I  ndispesável pela vontade de Deus
R
ealidade quase inacreditável.



Acróstico dedicado a amiga que encontrei em São Paulo.
marineusa

domingo, 9 de março de 2014

Laiko e Dislaiko

(perdidos na Net)

Laiko e Dislaiko

Soaroir 12/1/14

(Tit. original:
Resposta a Obed
 e rascunho de evolução)

como um perdigueiro,
farejo no teu céu
a ideia das coisas
dentro delas -
como no meu -
potencialmente
cinza...
Soaroir 12/1/14

Evolução:

como um perdigueiro,
farejo no teu céu
a ideia das coisas
dentro dele.
como  no meu...
potencialmente
cinza.

eu me esforço. Ah como me esforço
para gostar do que eu “devo”
disfarçar o que eu desprezo

tento
respeitar
mascarar
omitir
o que me violenta...
o que eu de bom grado
olvidaria se
se
não me cerceassem latir.

me rotularam meigo e afetivo
inofensivo e capaz
de sofrimentos e  de entrega...
por isso , e  tão somente isso
eu suporto (tanto) todos  - sem pedigree.

sábado, 8 de março de 2014

Dia da Mulher

Dia da Mulher - Diga Não à Opressão

(perdidos na net)
 
“Time to Say No”

Diga Não à Opressão!
S.O.S. Para as Mulheres Sertanejas
By Soaroir de Campos
Março/2013


Meu background bem me permite saber o que é ter uma VIDA seca e, pelo 38º (ONU) Dia Internacional da Mulher, peço vênia para rogar por aquelas dos sertões (¹) brasileiros.

Não que outras de áridas culturas e lugares mereçam menos socorro, entre tantas as indianas, onde "Meninas são inferiores. Fardos. São mais fracas para o trabalho braçal. Valem menos do que um touro. Não cuidarão dos parentes idosos, se necessário. Tornam-se cidadãs de 2ª classe, a seguirem seus maridos como cães... Não merecem ser ouvidas, vistas ou respeitadas”.~ Rama Mani*

Entretanto, nasci neste continente sul americano onde desfrutamos de toda a liberdade que nos propõem e a nós dispõem. Por aqui estudar não é proibido, pelo contrário, o incentivo aos estudos garantiu ao nosso ex-presidente, já com 80 títulos, mais uma vez ser intitulado Doutor Honoris Causa. Neste solo a lei nos garante o divórcio, ser gay ou lésbica depende do livre arbítrio, ser macumbeiro ou testemunha de Jeová também. Mas, ainda, temos sonhos. Os meus foram pisar no sagrado chão das inacessíveis catedrais, dividir os palcos com as ciências e com as artes imortais e, a qualquer custo, me manter distante da frisa dos ignorantes. Quase desisti diante dos desafios, logo após o primeiro ato.

A Grande Muralha da China, Machu Picchu, Everest, ah, nada que me tirasse o fôlego constava de meus projetos. Talvez ir a Jordânia ver de perto o monumento de Petra, voltar ao Rio e fazer poesia sob os Arcos da Lapa... Coisas assim, simples, de meros mortais foi o que sonhei... Mas eu me quedei em prol da educação de meus dois filhos hoje cientistas. Mas isso faz décadas. Hoje estou velha e pouco, efetivamente pouco vejo para o futuro da mulher anciã. E garanto: é coprológico envelhecer independentemente do lugar. Tem a volta do velho bidê, criados mudos e geriátricos panos de fundo; buço grosso em lábios finos, gengiva baixa em boca murcha; corpo leve em amplo colchão marcado por lembranças e manchas de tempos e de corpos dantes perfumados de “Royal Brial” e “Old Spice”. Contudo, diante do meu prato cheio, da água mineral, do gás encanado e dos recursos providos pela tecnologia, eu ainda sonho, mas sigo em frente lambuzada de protetor solar para desestimular o lúpus eritematoso. Diferentemente da irmã sertaneja que de couro curtido, após um dia de labuta, se estira em uma tarimba, que com sorte, coberta por uma esteira de tabúa.

Para ela, o seu maior sonho não é ter de volta os dentes, já que o que lhe sobrou para mastigar foram os mesmos sobejos engolidos por seus ascendentes. Tampouco ser analfabeta lhe pesa. Ela - não canta ou dança ao folclórico som mais conhecido de sua região - ajoelha-se e pede a Deus que não permita que suas tripas consumam sua fé enquanto aguarda por uma cuia de maná - limpa os olhos marejados, encardidos, amarelados pela fumaça da lamparina e a inanição e replica que Ele tenha piedade e mande chuva para que a cacimba volte a minar e o milho e o feijão voltem a brotar.

Em seu casebre de chão batido e cobertura de sapê, ela se roça no fogão a lenha balangando no ar a magra mão sobre uma velha vasilha enferrujada com resquícios do último ensopando de caruru fervido na água apodrecida. E reza: por um caminhão pipa, por água para beber – bolsa família (75,00) seria uma benção, se tivesse onde comprar uns grãos -. Oh Deus! Ela treplica, só queria ver a terra brotar (antes que nela eu me deite) e através de meu suor calar a boca do meu estômago e a dos meus filhos famintos.

E, como seus antepassados, esperança em seu “Padin Padre Ciço” de não ser enterrada como indigente e solta o ultimo suspiro prometendo aos filhos que um dia tudo ainda vai miorá.

(Texto sem revisão)


¹ 1. Lugar inculto, afastado de povoações.
  2. Floresta no interior de um continente, longe da costa.

* Rama Mani é escritora, diretora de cursos do Centro de Política de Segurança de Genebra e membro do Conselho da “Coalizão Global: Mulheres Defendendo a Paz”, autora dos livros de jornalismo político, entre outros, Beyond Retribution: seeking justice in the shadows of war (2002) e Physically Handicapped in Índia, policy programme (1988).


Mini Biografia:

Soaroir Maria de Campos – Campos dos Goytacazes – RJ,/Brasil 1947. Entre contos e crônicas tem nove antologias de poemas publicadas. Professora aposentada é membro da AVSPE, Poetas del Mundo, Recanto das Letras, Luso Poemas, e outros.
Blog: http://pote-de-poesias.blogspot.com.br/
E-mail: soaroir@yahoo.com

(Para: Pen Club.at)

segunda-feira, 3 de março de 2014

Trens para Felicidade

(perdidos na Net)

"All aboard!" ou (Trem para Felicidade)

by Soaroir de Campos
9/6/09





imagem/google/lugaresepaisagens.blogspot./cemiterio-dos-trens-bolivia.

       
                 


Na bagagem só coisas de necessidade
Confiança, e alguns lógicos medos
Mas na aduana acusou excesso de peso
O que poderia haver de tão pesado
Além da ansiedade
Para chegar à Felicidade?
Esvaziei parte da expectativa
E metade do passado
Com suas promessas
O egoísmo eu descartei
Saudades pendurei nas costas
Só o amor eu carreguei na mão.
Reordenados os pertences
Fui em frente na viagem
Rumo à Felicidade
Sem nenhum peso
Só a minha consciência
Logo após do “all aboard!”
 
 
Soaroir
Mote: "A arte de ser feliz"