Tempo de Cais



Conforme o tempo avança
lembro-me cada vez mais
do tempo quando eu criança
corria ao sol no cais.
Vau que inda hoje aliança
amigos, parentes e pais
outros de minha privança
liames de mesmos ais.


Soaroir Maria de Campos
  10/12/06

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Perdido na Net V

A Quinta Virtude

Renoir
1
Soaroir Maria de Campos · São Paulo, SP
16/2/2009 · 27 · 3
Paciência!
Soaroir 6/2/09


Serenam-se os gestos no ritual das horas mortas,
[antes do firmar do dia.
O talhado pela Natureza eu não lisonjeio nem [desprezo,
leio-o nas dificuldades rompidas,
além das gradativas por ventura à frente.
As secretas mensagens no coração flechado e
destacado na opala, entre o betume e o concreto,
não têm prazo de validade ou hierarquia –
Paciência! Nem culpas nem culpados...
Nada caminha fora da ordem universal –
a sombra nos passos se encontra em algum lugar,
entre os ares-de-dia e a maturidade.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Perdido na Net IV

Cruz de Vidro

ao oco do mundo me remetes
ó ilusão de parecer-me gente
importante junto aqueles entes
enaltecedores de meus sobejos

enquanto as carnes e os dentes
abocanhavam as mesas fartas
entre afagos no leito quente
de meu soberano viço

santa... santa expiação!
que persigna com a cruz da escora
da fronte ao peito os dias bentos
resilidos glacialmente agora

temporário flúmen que aos anjos vai
no encalço desta que se de mim aparta...


Soaroir 7/12/09

Perdido na Net III



40- Se Eu Morresse Amanhã
©Soaroir Maria de Campos

I

Desinfetar o beco e abandonar o eito...
Antes, porém eu da sentença recorreria,
em cabendo uma apelação para tal feito.

Certamente, se amanhã morrer fosse o dia,
chegada a hora daqui eu ter que partir
de volta pras estrelas, lugar donde eu vim,
indeferimento rogaria pro meu sair.

Acinte, desazado momento, aceria!
Das gentes que conheço com nada a provir
premiada delação por tempo eu trocaria
pra minha criadeiria eu poder cumprir.

II

Amanhã um dia, se finalmente, o dia,
vir de lá de cima a ordem pra partir,
a mais intensa febre de agror
das imputadas penas eu buscarei remir
do ventre inda aquecido por este calor

– Ontem não pude vos dar amor! Eu sei.
Vinde aos meus seios, agora vos esperam...
Não deveríeis assim ter partido! Errei...

Quero no Céu ter uma brecha permanente,
um novo começo para as vidas desmedradas,
guardadas neste mofino quarto quente,
pelo meu amor ainda abaetadas.

Silente Existência vinde repartejante
a quem hoje a Vida foi quem abortou
arrependida e eternamente penitente.

Set.15-2006_São Paulo, Brasil

Perdido na Net II

(rascunho de uma poesia)

QUE FAÇO COM QUATRO MÃOS...
Pouco, muito pouco faço se a única fosse eu a tê-las.
sou de Blake, a inspiração para seu Grande Dragão Vermelho
de Homero, o prazer estético e ensinamento moral
Shakespeare, me veste de longo e me põe fitas nos cabelos
Cervantes, me aceita e me leva em sua jornada
Poe, me transforma em assombração
Drummond, deixa uma pedra no meu caminho
Pessoa, me nomeia ridícula
Bilac, me desenha uma bandeira
Camões, bucolicamente me satiriza
Vinícius, me chama de mulher amada
Gonçalves Dias me diz Ainda uma vez... Adeus.
eu, pouco, muito pouco faço com quatro mãos
se sou a única a tê-las viro handicapped
deficiente, aleijão, matéria de pesquisa, atração.

©Soaroir Maria de Campos – Nov.19/2006

Poesia antiga

AMOR ENTREATOS

By Soaroir

AKANKE – Conhecendo o Amor
I
Amor cacos pra vida

introdução e efeitos
intérprete dramático
repertoriado cômico
pano de boca
palco anacrônico
alumia as ausências

Amor de grego

ágape afetos perfeitos
eros bruxo acrobático
anteros comediante atônico
platéia pouca
philia profético randômico
encena nas carências

Amor começo

semeadura de eitos
ardor magmático
desconhece o agônico
dança louca
florescente adônico
ramifica essências.

II
Amor chegança

com hora de saída
cheiro de criança
colo de rapariga
eterna lembrança
de mãe a barriga

Amor inocente

pura vertente
corre pros braços
transborda pureza
deságua no espaço
cristalina certeza

Amor diamante

brilho agramático
engastado no peito
passado extático
presente imperfeito
futuro acromático.

III
Amor de rastos

deixados no eito
presentes pegadas
futuros desfeitos
ausências marcadas
passados confeitos.

Amor pragmático

orgulhoso resultado
embala a descendência
melhor teria amado
se encontrado aquiescência
culpa do tempo
falta de deferência!

Amor confraria

representação de papel
opereta em pantomima
ato do encerramento
banzeiro o amor lastima
não ser peça pra testamento.

$oaroir 4/8/06

sábado, 3 de dezembro de 2011

Adote um Mendigo neste Natal


Meu Irmão por Parte de Pai
© Soaroir Dez/2008


Há muito estou perdido de minha terra distante,
Escorraços agarrocharam-me nas entranhas...
Tenho fome. Por favor, um prato de comida.
Ouvido, logo ali do outro lado
Fui levado como convidado.
Acomodado, com direito a bandeja,
Sobremesa, guardanapo e talheres...
De novo fui escorraçado:
“Aqui não pode entrar.”
“Vá pro inferno mulher,
Este Homem é meu convidado!”
“Ah, neste caso, rapidinho preparo
Para ele uma quentinha.”
“Não! Ele é mais um cliente
Como eu ou outro qualquer… ”
...
…Vitualhas para o irmão distante...
Sim, necessitado...
Este ao seu lado só pede comer
Voltar para a sua terra
Aonde é mais respeitado.

Meu endereço é no aí de São Paulo
onde eu posso ser encontrado.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Vem dançar comigo

VEM DANÇAR COMIGO
Copyright Soaroir



Sutilmente movem os pares
Pelo requintado salão de baile;
Cheios de certezas e olhares,
Repletos de perfumados hálitos.

Róseas pétalas abraçadas a seus ramos.
Oscilantes deslizam com empenho;
No tom maior do alísio vento
Bailam as cerejeiras na Primavera.

Terminada com o sol a floração,
Cheios de promessas de cortejo,
Seguem os bailarinos sem seus pares;
Acasteladas, ficam as pétalas pelo chão
 
(reedição de “Pas de deux"
Pour: Soaroir 20/07/07 - 14:18
(p poesia on-line do RL:"Dançar")