Tempo de Cais



Conforme o tempo avança
lembro-me cada vez mais
do tempo quando eu criança
corria ao sol no cais.
Vau que inda hoje aliança
amigos, parentes e pais
outros de minha privança
liames de mesmos ais.


Soaroir Maria de Campos
  10/12/06

sábado, 31 de dezembro de 2011

Perdido na Net XXI

©A felicidade, segundo Soaroir
27/7/07- 15h





Introdução:

É obra de engenharia
Construída pelo homem
Regida pela necessidade
De toda a humanidade.

Deve ser antes bem analisada
O preço nem sempre é razoável
Pra evitar desmoronar inteira
O material tem que ser de primeira.

É necessário perfuratriz
Na construção que envolve
Adequada estrutura, dimensão
E projeto para longa duração.

Não serve solo inconsolidado
Tampouco rocha sedimentar
Com a porosidade há fissura
Deixa sem suporte a estrutura

Necessária é ser profunda
Ter boa capacidade de vazão
Mesmo quando toda revestida
Sua meta não é comprometida

Conclusão:

A felicidade é uma cacimba
Alimentada por solo argiloso
Do leito de águas subterrâneas
Acumuladas num espaço vazio.


(republicação)
Soaroir

Cantiga de Ano Novo

Cantiga pro Ano Novo
By Soaroir




Feliz Ano Novo, Feliz Ano Novo
Famílias, amigos e colegas, também
Brindemos com todo esse povo
O velho e o novo no ano que vêm
Juntos erguendo o provo
Da taça onde somos alguém
Que se cai levanta de novo
Mais forte e dizendo amém!


Soaroir
RL por Soaroir em 23/12/2009
Código do texto: T1992096

Perdido na Net XX

Trégua de Natal
(um breve rascunho)
Soaroir
9/12/10

Troquei o tênis por uma sandália rasteira que por desusança me faz caminhar mais lentamente “Quinze dias para a Noite de Natal” ouvi enquanto atravessava o farol a caminho de mais um compromisso de factotum.

Suando em bicas acabo de chegar do supermercado e diferentemente da falta de umidade do ar, percebi os olhos marejantes de compaixão e bondade das pessoas, como se de repente um dispositivo regulado para ligar somente nesta época fosse ativado. Involuntária reprodução de reação alheia que se espalha e contagia.

Chega a ser sinistro a repentina gentileza dos transeuntes que param de dar esbarrões uns nos outros; ajudam os idosos a carregarem seus pesos; jogam as guimbas na lixeira; recolhem o cocô de seu cachorro. Quanta solicitude... Percebi que deixei de ser transparente para os funcionários do meu condomínio. O porteiro até me ajudou com as compras, abriu o portão que normalmente, quando com as mãos ocupadas, preciso empurrar com os pés.

Caso pensem que vou cotizar naquela caixinha de final de ano, se enganam. Estou entre aqueles que recompensam o bom atendimento e não o compra.

Mas vamos lá. Invoquei a minha alma poética e considerando o Dia Internacional dos Direitos Humanos, a ser comemorado amanhã, 10 de dezembro, comecei por mim, indagando por que permitimos sentir o que o outro desperta em nós. E o que será que despertamos no próximo para mudar de atitude displicente para respeito e consideração somente na aproximação do Natal?

Seria medo do castigo de Deus, interesse material ou porque nesta época as pessoas largam seus saltos altos e tênis e andam mais devagar?

Aqui diante deste teclado e de pés no chão me lembro do John “tudo o que estamos dizendo é: dê uma chance a Paz” - mesmo que seja só por trinta e um dias dos 365.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Perdido na Net XIX

Árcades Medos

Nesta difícil tarefa de ir do medo ao texto, ressabiado exumo os medos de outras cercanias, onde desde cedo fui assíduo freguês. Saudosos aqueles medos quando a pesca de piaba era feita com juquiá, diferentemente dos assombros que aqui vimos gritar. Os medos que lá consumíamos nos ajudavam a criar, arte, fantasias e sonhos que apenas restaram para contar. Aqueles bem-fazentes temores que nos deixavam mais contentes a cada despertar, não surgiam de assalto nem de bandos, tampouco de vizinhos que eram como se parentes.

Do boitatá e do saci foram os primeiros medos que consumi, depois o da mãe d’água, o da mula sem cabeça e o do lobisomem. Conforme ia crescendo, o medo outro rumo ia tomando até chegar nos fantasmas dos vivos conhecidos que morriam de velhice, que escondidos no escuro debaixo de nossas camas, faziam a gente correr pra nosso refúgio protetor, sob um amplo cobertor.

Tirando o bicho papão escondido no velho apagão, para demais temores sempre havia solução. Para o medo da inveja, mal olhado e quebranto a gente sempre se valia, além de muita oração, d´um banho de alecrim silvestre com folhas de guararema e ai, era o medo quem se amedrontava.

Até mesmo os papa-fumos, que sobrevoavam as vertentes, me eram medonhos, quando, sob um sol escaldante que ainda não se temia, a gente ia buscar água para beber e dar de beber às cabras.

Da morte medo não havia, pois a coisa que se matava era a fome com taioba e mostarda brotadas do excremento que dos passarinhos caia. Outras coisas se compravam, não se roubava e vendia; o pecado da cobiça e escassezes eram medos que ninguém lá conhecia.

Medos que mães sentiam eram da infância doençaria. Sarampo, febre alta e coqueluche que, para a proteção, recorriam aos chás das folhas de laranja da china e da cidreira, ao caldo de galinha e às benzedeiras; era com essa milagraria que as mães nos defendiam. Dos venenos que mais elas temiam eram o da picada de cobra e o dos frutos que os filhos comiam, como arrebenta-cavalo e do mato outras porcarias.

Com os perigos bem vigiados e com o futuro por Deus garantido, o pior de todos os medos era o da vara de marmelo, quando boa coça se levava se em confusão a gente se metia. Meu mundaréu de medo de outrora não dou, nem vendo ou troco por este pavor de agora; por este ódio de gente que dispara a besteira da ganância e da vingança brutal, que nos vitima e nos responsabiliza por sua deformação ancestral, suas deficiências mental, ética e social.

Publicado com imagem em:
Pote de Poesias
e Ecos da Poesia
Soaroir
Enviado por Soaroir em 08/04/2007
Reeditado em 09/04/2007
Código do texto: T442103

Eterno, só a Fome

Reedição


"The Litle Hunter" Analua Zoé

Soaroir
19/7/09
(Num dia triste)


nunca soube nada de eternidade
na véspera, eu acordei órfã
no dia, sai para sobreviver
não brinquei na furta-cor das balebas
no chão batido pelo jogo de malhas
que o destino em meu caminho jogou
retorno sempre, como um pequeno caçador
sempre aprendiz nas escolas convividas
com vida - e imaginários amigos a comer

a caça não caçada, mas apanhada
pela fome
por mais um dia
entre outros mortos.

Extrato de Olivia

Extrato de Olivia

By Soaroir 8/7/09
 
          (“Nous autres, artistes, somes des olives. Pressez-nos."
             James Joyce)




bem cultivada
desde a semeadura
cresceu Olivia Oliveira
admirada formosura
para no fim ser esmagada
extraída toda a essência
depois de ficar madura
no processo... (demorado)
perdeu todo o amargor -
deu luz às lamparinas
e ganhou melhor sabor.
Olivia Oliveira...
das sombras, frutos e engaços
ao extrato... só proveito -
da semente ao bagaço...

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Abrindo Caminhos

Ainda que os teus passos pareçam inúteis, vai abrindo caminhos,
como a água que desce cantando da montanha. Outros te seguirão...
(Saint-Exupéry)