Tempo de Cais



Conforme o tempo avança
lembro-me cada vez mais
do tempo quando eu criança
corria ao sol no cais.
Vau que inda hoje aliança
amigos, parentes e pais
outros de minha privança
liames de mesmos ais.


Soaroir Maria de Campos
  10/12/06

sábado, 26 de novembro de 2011

Delírios

Delírios
Soaroir
14/4/10

mote: “Amantes”


se não tendes estômago – não vades em frente
oh filhas de Maria, beatas consasagradas
aos estupros dos amantes a mancharem alvos véus
deixados nos altares da inocência – depois
de cada farsa e santíssima eucaristia
recuo-me como se anjo sem asas eu fosse
e do alterego rasgo toda a fantasia engolida
e reengolida em embutidos de verdades
aclamadas em luminosos códigos de barra
vomitai. Vomitai. Vomitai ...Se chegastes até aqui
oh deflorada criatura - vossa loucura suplanta a minha.

(depois arranjo os verbos) Cool

Recuo

Tempo Composto

Soaroir 18/4/09



Recuei para olhar

um muito nada de tempo

porque foi rugido

porque é passado

aguçando pelos ares

nas fendas

nas brechas

o indefinido -

como espantalho

que mete medo.

muito - porque foi rugido

nada - porque é passado.

 
Soaroir
Enviado por Soaroir em 21/04/2009
Código do texto: T1551171

A verdade não está lá fora


A Verdade não está lá fora
Soaroir de Campos
São Paulo - 10-10-10


exercício para "Poesia on-line"
mote: a verdade está na cara




Preciso me dizer algumas verdades

Não vem de ninguém a dor
- minha tristeza!

Não vem de ninguém
Esse vício triste da má sorte
Como a da pomba que se debate
Nas afiadas garras do falcão

Andam por ai espalhadas - respostas
Às vítimas do próprio Tártaro
Cuja verdade não está lá fora...


continua...


Projeto de Prefácio
Mário Quintana
Sábias agudezas... refinamentos...
- não!
Nada disso encontrarás aqui.
Um poema não é para te distraíres
como com essas imagens mutantes de caleidoscópios.
Um poema não é quando te deténs para apreciar um detalhe
Um poema não é também quando paras no fim,
porque um verdadeiro poema continua sempre...
Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte
não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras.

Soaroir
Enviado por Soaroir em 10/10/2010
Reeditado em 10/10/2010
Código do texto: T2548110

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Falando em chuva

Tempos de Prosa As Águas de (um) Janeiro © Soaroir Maria de Campos Janeiro 2010

ainda dormem os "tropegantes" na breve aragem do verão, a sisuda e silenciosa manhã de segunda-feira digladia com os raios e os trovões no anuviado plenário de São Pedro e São Paulo. dormem alguns, menos eu, na rede; a chuva fura o compulsório asfalto da metrópole sobressalteada de esperança por um dia sem fumaças, motores e violências. timidamente roncam ao longe as engrenagens competindo com os primeiros gorjeios da enfurecida natureza. as plantas me caçoam com seus pingos, antes tímidos, que se avolumam em gargarejos de tormenta que por aqui desaba. a luz não cessa. Ela persiste e reprisa e se aproxima com os trovões e a chuva que aperta. sem pôr de lado um matreiro ludibrio de poeta, eu viro pássaro entre as nuvens carregadas. cai do céu a tampa... penso nas ribanças, nos “barranqueiros” soterrados sob suas casas; nos alagados terreiros; no trânsito parado entre enguiçados nas águas correntes dos bueiros; e os dos pontos que marcam um ponto a cada dia para defenderem irreais 510 de mínimo, máximo para sobreviverem durante outras tantas feiras. ainda faltam dez para eu acordar dessa chuva torrencial que cai às seis. persianas e janelas aos poucos, uma a uma, deixam a luz elétrica passar. silhuetas nos andares, indecisas, estendem os braços e experimentam o tempo. lá, embaixo na enxurrada, se vai um cobertor. Entre PET’s, mais um desvalido encharcado de suas relíquias retiradas dos sobejos de muitos domingos. chove “cats & dogs” por aqui no alto da Paulista.

(encontrado na wikipedia)

Na casa de minha infância

Janela de madeira

imagem/google

Na Casa de Minha Infância

© Soaroir de Campos
26/10/08

Crescia solta a taioba, a mostarda
Alecrim silvestre em touceiras
No quintal, desprendidos resedás
Enfeitavam as nossas brincadeiras.

Faísca ronronava no telhado,
Maribondos zumbiam nos pés de pinha
Alvuras esvoaçantes nos varais
Embandeiravam aquelas nossas vinhas.

Janelas e batentes de azul marcado
Caiada de amarelo amarelado
A Casa de minha infância no cerrado
Balangava num alpendre ensolarado.imagem/google

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Pela hora da noite

Noite Bulida

(insônia)
By Soaroir
11/3/09



Eu sou aquela sem hora –
chego quando bem entendo
sem más intenções nas aflições,
cavouco onde o solo é mais fino
e me instalo no que mais estala
na construção de cada dia,
taciturna mente noturna
antecâmara da culpa e da razão
onde sou hífen de pesadelos e sonhos -
himen entre reprimidos gozos
sou grilhões me despartindo toda -
tudo - pela hora da noite.

...
...

(e.t:quando meu texto termina com reticências
é porque ele continuará um dia)

Spring follows it destiny

Manacá
 A Primavera Faz Sina - Spring follows it destiny

Copyright Soaroir 22/9/09

 Do florido pé de manacá
 Eu mando umas flores para ti
 Além das que deixo por aqui
 Outro punhado mando pra lá.

.....XX....

Spring Follows its destiny
From the flowery manacá¹ tree
Some flowers I send to thee
Besides the ones I leave here
Another bunch goes somewhere from me

Soaroir de Campos
São Paulo/Brasil


¹ Manacá = Brazilian ornamental and medicinal shrub belonging to the Solanaceae familiy.

(Free translation, as the usual rhythm differs between Portuguese and English)