Tempo de Cais



Conforme o tempo avança
lembro-me cada vez mais
do tempo quando eu criança
corria ao sol no cais.
Vau que inda hoje aliança
amigos, parentes e pais
outros de minha privança
liames de mesmos ais.


Soaroir Maria de Campos
  10/12/06

sábado, 7 de abril de 2012

Nu, exceto pela insanidade

II - Feições
Soaroir
27/4/09


Todos os homens nascem bons,
[ou quase,
não fossem as fraldas e as letalidades,
[por exemplo,
da vida fora do útero.
Com o tempo vão aperfeiçoando
[seus mais íntimos métodos
confessionais de justificativas
[para a maldade dos outros.
Nu, exceto pela cruz da insanidade
[morrem os homens, saltimbancos
comediando entre dormentes -
[um sim, um não, um sim, um vão
de lucidez – Bom homem
[até a crueldade
arreganhar-lhe os dentes -
[instigá-lo a se encobrir
completamente.


......xxx......

I
O Aprendiz
Soaroir de Campos
27/4/09


Nu ,exceto pelo capuz da sanidade
Segue o homem santo saltando
Os dormentes.
Um sim, um não, um sim, um não
Entre os vãos da lucidez – bom homem
Até a crueldade
Arreganhar-lhe os dentes
Instigando-o a se cobrir
Completamente.


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Perdido na Net

Depois da Vida
Copyright Soaroir

*Que lembrança vale toda a eternidade?
Mote de 11/11/07 - Poesia on-line do RL
http://www.recantodasletras.com.br/forum/index.php?topic=3201.0
e/ou in Pote de poesias:http://pote-de-poesias.blogspot.com

(This poem needs translation
For lots of foreign readers
needn't Shakespeare's perfection
nor Byron's style, neither)
http://www.facebook.com/profile.php?id=634208065


----------xxxxx----------

Como macromoléculas existentes
Sem que nos demos conta delas
Cada epifania constrói nosso dia-a-dia.
Se na hora da cessação, revisão
For-me dado o direito de escolher
Um único melhor momento pra lembrar
Por toda a minha eternidade
Eu sei que vou sofrer…
Como deixar para trás o meu nascer?
As horas que passaram sem eu perceber,
As que me calei quando deveria falar
As pessoas que fingi não entender,
As que não me permitiram amá-las,
As que me amaram sem eu pedir,
E que ficarão por aqui?
Como me decidir entre o cheiro do coito
Meus abortos, meus partos, meus filhos,
Meus amantes, meus amores, meus pratos?
Como me esquecer da chuva, das brotações,
Da colheita do centeio, parreiras e oliveiras?
Da cigarra se pocando de tanto cantar,
Da formiga exaurida de tanto trabalhar?
Como me contentar ser esquecida
Pelas ostras que me enfeitaram com pérolas,
Pelos pássaros que me ensinaram a cantar,
Pelas letras que me permitiram escrever,
Poesias, mesmo sem eu sequer sabê-las…
A lembrança minha digna da eternidade
Sem sofrer eu escolheria o momento
Meu na hora de morrer
Olhando para trás com satisfação e riso
Admirando minha cota completada
Antes de seguir para o paraíso.

----------xxxxx----------

*(Mote baseado no filme japonês After life “Depois da Vida” ( Wandafuro Raifu) – 1998, dirigido por Hirokazu Kore-eda.))

Sinopse:
"Num local, entre o Céu e a Terra, pessoas que acabaram de morrer são apresentadas aos seus guias espirituais. Durante os três dias seguintes, eles auxiliam os mortos a vasculhar suas memórias em busca de um momento inesquecível de suas vidas. O momento escolhido é recriado num filme, que será a única lembrança a ser levada para o paraíso. Esquecerá e será esquecido pelo resto.
Não se segue viagem enquanto não fizer a escolha."

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Perdido na Net

Vinho Velho

Por: Soaroir 22/7/07

Se eu fosse
Um vinho azedo
Queimando bocas, travando dentes
Tiraria partido disso
Como um refinado vinagre
Remédio consagrado
Já desde a antiga Grécia
Na medicina de Hipócrates
Com água seria a “posca”
Consumida entre os romanos
Mesma que o centurião serviu
A Jesus, durante a crucificação...
Derivado do vinho acre
A mágica e benta poção
Aliviou a Sua sede
E entorpeceu as Suas dores.
... Se eu fosse...
Saberia que nada se perde
Que tudo tem uma utilidade
Para gastrônomos acentuando
Os sabores nos banquetes
... eu seria Mas Portell
Muito bem afermentado...
.


Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=12652#ixzz1rAmd7w8G
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

O Miserável

© Soaroir 1º de agosto/2008
(Prece para um Mendigo)

fotografia e texto by Soaroir





Meu Deus, desça Vosso conforto
Para ele quem no ardume¹ do passeio²,
Passado o verde jardim, como pedinte,
Rasteja cansados pés;

Para ele quem vê aquém das paliçadas³
Suaves relvas onde deita o frescor das sombras,
Verdes vãos quais ele pode não entrar,
Mas por eles passa.

Não, não para ele as árvores em acolhida
Estendem guarida pelos mormacentos caminhos;
E não é para ele que as fontes jorram
Suas nuvens de borrifos .

E não é para ele que a brumosa caverna
Acena como por um véu estendido,
Nem um resquício de orvalho sequer
Refresca sua cabeça.

Meu Deus, desça Vosso conforto,
Para ele quem na pétrea rua da existência,
Como um pobre mendigo, passado o jardim
Rasteja cansados pés.

¹ calor² da calçada
³ cercas

Tradução interpretada: "The Beggar" - Fedor Ivanovich Tyutchev (1803-73) In:"Poems from the Russian" Translated to English by Frances Cornford and Esther Polianowsky Salaman -1943 -Soaroir Maria de Campos - August 1st-2008

Mote do dia por Soaroir: “Prece para um Mendigo"

terça-feira, 3 de abril de 2012

Serva da Gleba: Engaiolada

Serva da Gleba: Engaiolada: chamado interior sinto falta de um líder. Alguém que me dê a mão ou ( me aponte) a direção da saída... este perímetro pedregoso me enterra...

Engaiolada

chamado interior


sinto falta de um líder. Alguém
que me dê a mão ou
( me aponte) a direção da saída...

este perímetro pedregoso

me enterra meio dorso

dêem-me uma pá – algo pra boiar
só até a outra margem das chances -
alheias às ansiedades
...
 


Soaroir 14/9/10

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Vício

Soaroir
31/3/10

Embriago-me
Ah! como me embriago
Mas não invejo os santos...
Ando cansado de fazer milagres;
Transformar vinho em água
E vinagres em doces sucos.
Apenas um pecador
Como tantos e tantos
No mal-estar das noites em claro
Embriago-me na fé
De morrer no vício
De bem viver
Sem os danos da ressaca.