Tempo de Cais



Conforme o tempo avança
lembro-me cada vez mais
do tempo quando eu criança
corria ao sol no cais.
Vau que inda hoje aliança
amigos, parentes e pais
outros de minha privança
liames de mesmos ais.


Soaroir Maria de Campos
  10/12/06

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Chuva e Primavera

Primavera

Haikai perdido na Net
By Soaroir 26/9/12


 
Chuva de Primavera
   pingando refresco
      rendendo Agosto.

domingo, 26 de julho de 2015

Pertencer é Preciso

Coleção Perdidos na Net


Pertencer é Preciso
Copyright Soaroir 5/4/12


O medíocre é assim tratado pela vida inteira e quando conveniente abraçado por todos que sobre ele se sobressaem. O vitorioso é endeusado pelas benesses e inserções que possa beneficiar seus pares. Mas o notável, sem posição social e financeira, não. Este que em detrimento de posses e a duras penas investe no intelecto para sair da vala comum, esse vive nas margens, no ostracismo. Só é digno de atenção para escárnio, torna-se vítima fácil do menosprezo e desacatos; acaba perdendo a autoestima e se isolando em sua angústia; nada divide pois lhe calam a boca na primeira tentativa.
Como ninguém sabe tudo sobre qualquer coisa, até entendo que o soberbo se evada de assuntos que não domine, mas que se quer ouça o que o outro tem a dizer não entendo.
A menos que seja “chic” ouvir palestras de fulano, pronunciamento de sicrano, estamos destinados a nos confederar; aceitar viver nos novos guetos que a evolução da sociedade moderna desenvolveu?
Na nossa sociedade se propaga que a classe X agora atingiu a classe Y, no entanto pouco ou nada além de posses foi absorvido. Não levaram o manual de boas maneiras e etiqueta. Não levaram a cortesia nem a discrição. Continuam mascando goma enquanto conversam, gritando nos celulares, largando seus cuspes, guimbas e fezes de seus cães em qualquer lugar.
Vivemos em manadas onde pertencer é preciso, à parte é isolamento, mas o silêncio é prejudicial à sociedade.


(breve rascunho)

Literatura Sensual

Coleção Perdidos na Net


No céu da boca
By: Soaroir Maria de Campos
09/07/07 9:57
In: Pote de poesias


Tua boca virgem me fascina!...
Os teus cabelos revoltos
como se fosses um louco,
a me tentar...
a me tentar...

Meu corpo não resistiu...
Como Lúcifer me seduzistes!
Anjo, ou demônio,
não sei!

Eras o meu fruto proibido...
Eu não queria amar
e te adorei!

O céu de minha boca te alucina!...

Vivemos no pecado do mistério...
Gozando pelos ermos do sidério!


Dores e Encantos do Poeta

Coleção Perdidos na Net

23- Dores e Encantos do Poeta
Soaroir Maria de Campos
Jan. 2007

  - Dialogismo -



Dói-lhe a falta de beribás , vertentes, abio, cajá
mãos e  tintas libertas de qualquer luz
formatamento da incoerência em ciência
fotossínteses sob  pés de manacá.

Dói-lhe ver a verve capada
se a puros e cubistas difere
o cerne de sua bafagem
de vulgos, tosco é julgado
arriada é toda a sua bagagem.
 
Espoliado o poeta re-volta, seu fado
feitiço no berço inoculado, volta
aos pés do  manacá encantado, Parnaso
e recomeça a prosear:

- Como vou reconhece-la, Poesia?
Com dois olhos, testa uma boca e um nariz?
Não vejo qualquer distinção!
- Se consigo te agradar, então sou poesia.
- E as lições e tratados; e, de Dionísio, a filosofia?
- Não duvides do que eu digo:
nada aqui é fantasia!
- Se  odeio, sem rima afadigo;
se amo, com métrica me execro.
É isso que é poetar?
- Só cai o que nasce  para baixo.
Poesias germinam no ar.

-Mas e a musa de outrora, de antiga rama,
é este um outro valor que se alevanta?
Nesta verve meu sangue ainda é lusitano,
brada a fama das vitórias que rimaram,
aroma que esta alma, ainda minha,
verte no sabor daquelas vinhas...

- Cessem, do sábio Grego e dos Troianos,
ádvenas ou vultos grandes que fizeram;
foram-se Alexandres e Trajanos,
romançarias com vitórias que tiveram.
Outro mais alto valor me alimenta
nas fadigas que neste tempo vos verberam.
Hoje sou uma outra poesia que as sustenta

soaroir@yahoo.com
São Paulo - Brasil

quarta-feira, 24 de junho de 2015

My Secret

(Perdido na Net)

O meu segredo (p/ Poesia on-line)

O meu segredo
Por Soaroir 21/03/08 12:25h



A minha sepultura não vai suportar
Choros, flores murchas, velas ao vento
Içadas pra despedidas de quem
Sequer estará por lá.
Não estarei lá
Como grão em mutação
Estocada em moinhos e entre mós.
Eu nao estarei lá;
Serei clarão na noite escura que sorri,
Estrela de neve no dia frio de qualquer lugar.
Na minha sepultura eu não estarei lá,
Pois não morri,
Só cessei um comportar.


Mote por Gabriel Rubinger Betti:
 "Morte, que talvez seja o segredo dessa vida!"

por Soaroir em 22/03/2008
Código do texto: T911543
Classificação de conteúdo: seguro

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Serva da Gleba: Odes a minhas janelas

Serva da Gleba: Odes a minhas janelas: Soaroir diversos coleção perdidos na Net) Ode à minha janela Soaroir Maria de Campos Jan. 29/08 14:11 Primeira parte       Abra-...

domingo, 24 de maio de 2015

Limpando os Guardados

(perdidos na Net)



Entre muitas tralhas encontrei  "Sobre Rocas e Fusos" de quando meu filho, hoje com 22, estava na primeira série do CSL. Acho que é um tema muito atual e divido-o c vcs:


Sobre rocas e fusos Lygia Rosenberg Aratangy
Estou escrevendo este livro por causa da Bela Adormecida.
Para mim, essa é uma história em que toda a tragédia acontece porque os pais
da princesinha teimavam em acreditar que deveriam afastar todo o mal para longe da menina. Mais ainda: estavam convencidos de ter poderes para isso. O pior é que eles viviam repetindo a mesma bobagem, como se fossem capazes de aprender com a própria experiência.
Pois veja: para o batizado da menina, deixaram de convidar a velha bruxa,
porque ela era feia e malvada, e eles achavam que a feiúra e a maldade não podiam fazer parte da festa. Mas, como esses atributos fazem parte da vida, a bruxa invadiu o palácio mesmo sem convite. E, para vingar a afronta recebida, lançou uma maldição sobre a criança.
Não seria melhor ter convidado logo a malvada e dado a ela uma porção de coisas boas de comer e beber, para aplacar seu mau gênio? Não seria mil vezes preferível tê-la como hóspede do que como inimiga?
Mas a bem intencionada bobeira dos pais foi ainda mais longe. Ao ouvir da bruxa que a princesinha, aos 15 anos, iria ferir-se gravemente com uma roca de fiar, o que fez o pai? Mandou banir do reino inteiro todas as rocas de fiar. Como se algum pai, por mais poderoso que fosse, tivesse o poder de afastar dos filhos todos os objetos (e sujeitos...) capazes de feri-los, de lhes fazer mal. Ainda mais aos 15 anos.
O que aconteceu, então? Tinha sobrado uma roca com seu fuso, no alto de uma antiga torre onde vivia uma fiandeira, solitária e isolada. A princesa chegou casualmente à torre e, ao deparar pela primeira vez com aquele estranho objeto, ficou curiosa, pegou nele de mau jeito e furou o dedo. Conforme, aliás, todo mundo já sabia, há muito tempo, que iria acontecer.
Não teria sido mais sábio o rei se tivesse alertado a menina para o perigo que
aqueles objetos representavam para ela e ensinado sua filha a se defender, em vez de tentar negar a existência de rocas e fusos? Talvez, se pudesse saber do risco que corria, a princesa fosse mais cuidadosa e até evitasse o acidente.
Então.
Eu acho que muitos pais e mães de hoje continuam a se comportar do mesmo jeito que os pais da Bela Adormecida, como se não tivessem entendido a história. Daí, achei melhor escrever este livro.

Texto introdutório do livro Doces Venenos.


Lidia Rosenberg Aratangy
Lidia Rosenberg Aratangy formou-se em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, em 1976. É catedrática nessa instituição há mais de 30 anos e trabalha também como terapeuta de casais e de famílias desde 1978. Foi assessora no ministério da Educação e da Cultura em diversos projectos relacionados com jovens e adolescentes. É autora de vários livros de psicologia que abordam os temas do afecto, dos relacionamentos, da educação e das dinâmicas interfamiliares.